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Fallout 76 (PC)

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Fallout 76 – Destaque da Comunidade: Shia

25 de novembro de 2020
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Desde a abertura da porta do Refúgio 76, Shia sobrevive nos Ermos um dia de cada vez.

Junto de sua fiel amiga, Turtle, se aventuram por todos os Apalaches. Explorando locais, enfrentando inimigos e documentando tudo que descobriram pelo caminho com ilustrações e anotações de suas observações.

Durante o tempo no Refúgio, Shia teve sua posição na Segurança removida em favor de uma em Saneamento. “Ela não é uma sobrevivente solitária, única sobrevivente, mensageira ou escolhida, mas talvez aquele tipo de NPC que a gente nunca conhece, mas encontra seus bilhetes e diários espalhados por toda parte, que podem ser uns 20% úteis, mas talvez tragam um pouco de vida e tornem as coisas mais divertidas”, afirmou Shia, responsável por jogar com a personagem.

Na vida real, Shia ama arte, e passou os últimos dois anos, desde o lançamento de Fallout 76, criando ilustrações belas e criativas sobre suas aventuras nos Apalaches. As obras de arte foram compiladas em três livros independentes: The Vault Dweller Journal (O Diário de um Habitante de Refúgio), o Watoga Technical Manual (Manual Técnico de Watoga) e o Bestiary (Bestiário).

“No início, era uma forma de interpretar com minha amiga, Turtle, que jogava Fallout 76 comigo, pois o jogo não tinha uma interface textual para conversar com as pessoas”, afirmou Shia. “Os jogos da série Fallout são divertidos de se jogar porque se baseiam em lugares reais que podem ser visitados na vida real se você quiser, e adoramos a pegada meio Lewis e Clark, de exploradores perdidos pelos Ermos. Eu REALMENTE adorei a ideia de criar minhas próprias histórias estilo 'Tales of a Junktown Vendor' (Contos de um Vendedor de Junktown) ou meu próprio guia de Sobrevivência nos Ermos com aventuras pessoais e observações do ponto de vista de um personagem”.

E assim foi! Shia preencheu as páginas de cada manual com ilustrações interessantes e cativantes, usando técnicas tradicionais e digitais. “Para as pinturas, normalmente uso tintas e vários tipos de café e água (inclusive com sal) para conseguir efeitos diferentes. No caso das páginas dos diários que faço, normalmente eu as digitalizo depois disso e uso algumas técnicas de Photoshop para deixá-las mais parecidas com um pedaço de papel rústico e velho e depois rabisco coisas digitalmente e adiciono texto nelas”.

Shia teve anos para aperfeiçoar sua arte até chegar ao seu nível atual. “Desde criança, eu desenhava em tudo, então meus pais acabaram comprando rolos enormes de papel pardo para que eu parasse de rabiscar em objetos que eles queriam proteger”.

Ao longo de sua vida, o pai de Shia teve uma grande influência em seu amor pela arte. “Ele tentou viver da caligrafia por um período, e sempre tinha materiais de arte interessantes espalhados pela casa. Eu ainda uso um bico de pena antigo dele hoje”, disse Shia.

Shia relembra: “Ele sempre levava conjuntos de aquarela com ele quando íamos acampar e pintar paisagens, inclusive fizemos algumas aulas de arte juntos. A partir daí, tive muitas influências, como Yoshitaka Amano (que conheci por meio de um manual de Final Fantasy 6), Fred Perry e vários outros jogos (principalmente RPGs)”.

Na faculdade, Shia graduou-se nas áreas de Arte e Design Gráfico, o que contribuiu com o trabalho digital. Shia costumava usar o Photoshop, mas depois de atualizar o tablet, usa SAI, Clip Studio e Gimp para seus trabalhos. Contudo, em termos de preferência, Shia prefere uma mistura de arte tradicional e digital. “Ambos têm seus pontos fortes. Sempre gostei de aquarela e, com o passar dos anos, descobri que realmente gosto de mexer com tinta e adicionar coisas como café quando pinto, ou salpicar sal sobre uma camada de tinta. Adoro a conveniência da arte digital, mas sempre é interessante ter uma obra original no papel em vez de elétrons... embora eu já tenha perdido a conta de quantas vezes eu estava desenhando no papel e pensei 'Putz, essa linha não ficou perfeita, Control + Z... ah'”.

Os projetos de arte de Shia podem levar de um dia a meio ano para ficarem completos, dependendo do projeto. “Normalmente, tenho várias ideias na cabeça ao mesmo tempo. Às vezes, gosto tanto de uma ideia que finalizo ela em um dia (tipo aquele primeiro diário artístico, que acabou se tornando uma maratona de esboços diários). Às vezes, falo com minha amiga, Turtle, e discutimos sobre conceitos e ideias aleatórias, em outros momentos prefiro guardar algumas ideias por um tempo e revisitá-las mais tarde, quando consigo pensar em algo a acrescentar”.

Shia encontra inspiração em várias fontes, como quadrinhos, anime, jogos, arte tradicional e até na natureza. Por vezes, esses rompantes de inspiração causam obsessões que levam a novos hobbies e descobertas. “Eu estava curtindo o Fallout New Vegas por um tempo e pensei: ‘Ei, isso é perto daqui; posso conhecer esses lugares na vida real’. Isso me levou a fazer camping, o que me permitiu descobrir estações de rádio estranhas que eu gostei e um programa de rádio/podcast chamado 'Desert Oracle'. Passei de odiar o deserto a pintá-lo com frequência, a acampar nele e, quando percebi, estava fazendo um quadrinho lá também”.

Comunidades de jogos também foram uma grande fonte de inspiração para Shia. “Fallout realmente tem muitos seguidores e grupos, como o grupo do Reddit fo76filthycasuals; podcasts como 'Chad the Fallout Story' ou a 'West Vault Radio', além do 'Shodycast Storyteller', que é um prato cheio de histórias inspiradoras”, disse Shia. Shia inclusive fez alguns trabalhos artísticos para algumas dessas comunidades, como o podcast de Chad.

Quanto aos temas favoritos para desenhar, não há apenas um que cative a mente criativa de Shia. “Ultimamente tenho alternado de desenhos e pinturas assustadoras com tinta a pequenos esboços superfofinhos. Se eu pudesse definir um tema favorito para desenhar, acho que seria qualquer coisa multifacetada, como 'horror-adorável' ou pessoas meigas com aparência grotesca. Também gosto muito de Alice no País das Maravilhas, Criptídeos, do Parque Nacional de Joshua Tree, terror e zumbis, além de coisas relacionadas a jogos”.

Perguntamos para Shia qual a parte favorita de seu processo artístico. “Descobrir o que funciona, o que cai bem. Às vezes, você acerta de cara e se impressiona já com a primeira tentativa, mas em outras vezes você precisa trabalhar com uma ideia e ver como ela fica com materiais diferentes, outro estilo ou paleta de cores. O que mais gosto é do resultado final, quando termino e tenho um produto acabado em mãos ou na tela. Meu rastreador mental de objetivos considera aquilo pronto e desaparece, de modo que consigo partir e me concentrar em outras coisas”.

De todos os trabalhos artísticos que Shia fez ao longo dos anos, seu favorito é o Bestiário da Virgínia Ocidental. “Gostei muito das texturas de papel envelhecido, ilustrações ao estilo do manual de monstros de D&D e todos os esboços nas laterais”.

Com tanta inspiração e trabalhos artísticos concluídos, é preciso fazer algum tipo de planejamento para Shia decidir o que fazer a seguir. “A maior parte dos meus trabalhos se baseia em algum projeto a qual decido me concentrar, como o Inktober, porque se eu ficar em casa sem planejamento, pensando 'O que fazer hoje?', não faço nada”. Recentemente, Shia tem feito muitos diários e livros, o que significa muitas páginas a serem feitas ao longo da semana. Contudo, não há restrições para se trabalhar em um único projeto por vez. “Se algo que me interessa aparece enquanto trabalho em uma coisa, como uma súbita vontade de desenhar versões fofinhas de animais do deserto ou pinturas aterrorizantes de criptídeos, sigo essa vibe”.

Com o retorno da Irmandade do Aço em 1º de dezembro, Shia terá muitas coisas novas para adicionar a seus livros de sobrevivência. Enquanto isso, Shia tem um conselho para todos os aspirantes a artista por aí: “O melhor conselho que posso dar é: pratique muito. Melhorar suas habilidades no desenho é como se exercitar e manter a forma. Você melhora se tirar um tempo todos os dias e praticar, fazer muitos desenhos a partir do olhar e estudos de imagens”.

Valeu mesmo por conversar com a gente, Shia. Mal podemos esperar por suas próximas criações!

Vocês podem conhecer mais da arte de Shia no Twitter e no DeviantArt.

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